Dina Simão

«Unfortunately we are still prejudiced with relation to our culture»

\\ Text João Afonso Ribeiro
\\ Photography Daniel Camacho

Fashion designer, television presenter and woman of all trades, Dina Simão was born in Angola, but grew up in Portugal, where she completed her studies and embarked on a career, which today earns her international renown. She first came into contact with needles and thread at the age of 14, in Setúbal, and from that moment on has been gripped by a passion from which she has never looked back. In the meantime, in the 30 years she lived in Portugal, Dina Simão completed two degrees (International Relations and Human Resources), became a leading name in African dance in the country, went on international tours, worked with the famous Bonga, worked as a civil servant and was a secretary at the United Nations. Later on, in 2008, she grasped an opportunity that came about through the Angolan delegation present at Expo Zaragoza to return to the country where she was born, at a time in which her creations were already appearing on the catwalks at London Fashion Week. From then on, she was invited to the closing of Angola Fashion Week, in 2009, and established herself in her birth land. In Angola, Dina became a television presenter, while never giving up her work in the fashion world. Her knowledge and experience of this milieu led her to open the Arte e Fashion academy, where she teaches the secrets of fashion to young Angolans, in the hope that they will follow in her successful footsteps. 

Como se define enquanto apresentadora?

Sou aquela que aparece todos os dias nas televisões. Sou uma mulher com um programa muito bonito e não o trocaria por nada deste mundo. Tenho um programa completo onde se fala sobre moda, saúde, culinária, cultura, ou seja, fala-se um bocado de tudo. Fiz uma formação em jornalismo, para me adaptar a esta carreira de apresentadora e, em poucos anos, já ganhei dois troféus como melhor apresentadora de televisão de Angola, o que para mim é um prazer e me deixa super lisonjeada.

 

Identifica-se mais com a moda ou com a televisão?

São projectos completamente diferentes, mas são prazeres distintos que se complementam. Por exemplo, no meu programa visto Dina Simão Fashion, ou seja, faço o marketing da minha marca no meu próprio programa. Afinal de contas, sou um exemplo a nível da moda e acho oportuno associar estas duas partes. Claro que, uma vez ou outra, sou vestida por outras boutiques, mas regra geral visto Dina Simão Fashion.

 

De onde vem a inspiração?

Vem de todo o lado. Sou uma mulher do mundo e uma mulher que viajou imenso, que lidou imenso com uma grande variedade de culturas. O meu passado é uma grande inspiração para o meu presente e para o meu futuro. O meu estilo não pode ser 100% africano, até porque vivi 30 anos em Lisboa, mas posso dizer que vou buscar um pouco de tudo. Quero ter a liberdade de mergulhar na minha criatividade e voar, ir até ao céu.

 

Considera-se uma estilista africana?

África virou moda. Estive em Lisboa há pouco e reparei que a cidade respira África por todos os cantos. Mas quando é que nós, africanos, começámos a aceitar a herança africana? Quando o Ocidente começou a aceitar, porque infelizmente ainda somos preconceituosos em relação à nossa cultura. Temos que saber valorizar o que é nosso. Só aceitamos quando os outros dizem que é bom, ainda que muitas vezes copiem as nossas coisas. Nós, estilistas africanos, temos o desafio de valorizar o que é nosso e mostrá-lo ao mundo, porque só assim é que, de facto, as nossas criações chegam ao mais alto nível.

 

Criou a academia de moda Arte e Fashion. O que se pretende desenvolver?

Este é um espaço que há muito era um sonho. Com 25 anos de moda, conquistei 15 troféus, 11 dos quais internacionais. E, no fundo, quero fazer vingar os troféus. Já que vou ficando mais velha, achei que a melhor forma de vingar os meus 15 troféus na área da moda seria passar o meu testemunho às novas gerações. Pedi apoios e ajudas para montar uma escola de formação e encontrei as pessoas certas que me deram um empurrão. É, agora, aqui que damos as aulas dos três cursos que oferecemos: curso de Modelagem e Estilismo, curso de Corte e Costura e, também, o curso de Artes e Ofícios.

 

O projecto está a ter adesão?

Neste momento temos 12 jovens, mas estamos a ver se para o próximo ano aumentamos. A procura tem sido imensa. Temos meninas a partir dos 14 anos até senhoras licenciadas. De momento, só tenho formandas, mas tenho dois homens inscritos para os próximos cursos. É evidente que, sendo o primeiro curso, é necessário entender como é a juventude e a sua vontade de aprender. Há ainda muita coisa a limar: desde o cumprimento de horários, passando pela motivação e pelo empenho, que é muito difícil. No meu tempo de jovem, tínhamos garra, ganância, e eu tinha que ser a melhor da minha turma. Tínhamos orgulho e esforçávamo-nos, mas hoje a juventude não faz isso. No entanto, a academia existe há ano e meio e posso afirmar que tudo corre bem e temos já os próximos cursos esgotados. O meu sonho é poder formar profissionais na área da moda.

 

É uma forma de deixar o seu cunho pessoal?

É uma forma fantástica de poder contribuir para o desenvolvimento do meu país. E, sim, é uma forma que encontrei de deixar o meu cunho pessoal. Eu vejo todos os dias o meu sonho a tornar-se realidade e isso é o que mais prazer me dá e o que verdadeiramente me deixa feliz.

 

Até onde podem chegar os seus formandos?

Para começar, tenho um grande desafio. Quando for convidada a participar num desfile, quero que sejam as minhas meninas a fechá-lo e a mostrar aquilo que aprenderam no Arte e Fashion da Dina Simão.  

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