A sucessão

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Direitos Reservados

Presidente de Angola desde Setembro de 1979, José Eduardo dos Santos cede o lugar que ocupava há 38 anos. Atrás de si, fica uma liderança muitas vezes conturbada e, não raras vezes, criticada, ainda que, depois de um cenário de terra arrasada provocado por quase 30 anos de guerra, uma ‘nova’ Angola tenha renascido. Na demanda de uma Angola cada vez mais desenvolvida e de olhos postos no futuro, sucede-lhe João Lourenço, membro histórico do MPLA e general das Forças Armadas na reserva, que venceu as eleições no passado dia 23 de Agosto, data que marca uma nova era na história da construção de Angola.

A avaliação do legado de José Eduardo dos Santos está longe de ser consensual e só a História o julgará.

José Eduardo dos Santos nasceu em Luanda em 1942. Aderiu ao MPLA em 1958, tendo partido para o exílio em Novembro de 1962. Nesse ano, integrou o Exército Popular de Libertação de Angola, braço armado do MPLA. Partiu, em 1963, para Baku, atual capital do Azerbaijão, à data território da URSS, onde cursou Engenharia com especialização em petróleo, tendo concluído os estudos em 1969.

Quando a independência de Angola foi declarada, em 1975, com Agostinho Neto na Presidência, ocupou os cargos de ministro das Relações Exteriores, vice-primeiro e ministro do Plano. Com a morte do primeiro Presidente, em 1979, a sucessão recaiu sobre o então jovem Eduardo dos Santos. Nos primeiros anos, a liderança foi tudo menos tranquila, devido à guerra civil que Angola enfrentou durante 27 anos e à «guerra fria».

Depois da guerra, a ‘nova’ Angola dedicou-se à exploração de petróleo, gás e diamantes e abriu as portas ao investimento estrangeiro. A economia do país cresceu a uma grande velocidade até 2008, altura em que abrandou devido à crise mundial. Em 2012 volta a subir, mas a um ritmo cada vez menor, devido, essencialmente, à queda dos preços do petróleo, o maior pilar da economia angolana.

 

Os desafios agora «são a consolidação da democracia e o fortalecimento da economia», para uma Angola mais próspera e feliz.

A avaliação do legado de José Eduardo dos Santos está longe de ser consensual e só a História o julgará, mas a ‘nova’ Angola, devastada por quase 30 anos de guerra, reergueu-se das cinzas. As conquistas nas áreas da educação, da saúde, da habitação, das vias de comunicação, a nível cultural e artístico, assim como as diligências na diversificação da economia, são incontestáveis. Eduardo dos Santos decidiu retirar-se depois de 38 anos no poder e um novo ciclo começará com o recém-eleito João Lourenço.

Membro histórico do MPLA, sendo também seu vice-presidente, João Lourenço diz-se preparado para assumir o desafio. Com 63 anos de idade e licenciado em História, ocupou vários cargos dentro do MPLA, incluindo o de presidente da Bancada Parlamentar e de Secretário da Informação. Foi também ministro da Defesa de Angola desde 2014. João Lourenço compromete-se a fazer Angola crescer em todos os sectores, a «melhorar o que está bem e corrigir o que está mal». Apesar de ser general das Forças Armadas na reserva, João Lourenço faz questão de não o destacar, recordando que o país «já não está em guerra» desde 2002 e que os desafios agora «são a consolidação da democracia e o fortalecimento da economia», para uma Angola mais próspera e feliz.

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