Lulu Sala

Como uma Mariposa genuína

\\ Texto Maria Cruz

É de Maputo. Moçambicano apaixonado pela dança! Lulu Sala começou a sua formação na casa de cultura de Alto Maier. Aos 14 anos tornou-se diretor artístico do grupo. Com ele levou muitos bailarinos a viajar numa digressão até Sunshine, Gaza. Mais tarde, entrou para o grupo da UNESCO e, após seis meses, pedem-lhe para dar aulas. Assim foi! Uns tempos depois decide entrar para a Escola Nacional de Dança. Aprende o clássico. No percurso de Lulu a dança é o seu mundo, é onde tudo o resto desaparece, e «é onde ficam só as coisas boas».    

E a dança é uma das coisas boas! Ainda criança sonhava ser Rock Star. Aos 11 anos escolhe a música. Mas não tardou a mudar de ideias. No momento em que entrou no estúdio de dança, a convite de um amigo, surge o clique e nasce o gosto pela dança. «Deixei o Rock Star e virei Dancer», e mais não nos precisava dizer Lulu. A partir daí, dos 11 anos, foi dançar e dançar? e diz não mais querer parar. Rodopia as silhuetas e faz girar os que o acompanham. Em palco «deixo de ser este que está aqui sentado, não sou mais uma pessoa senão um ser», revela o bailarino.

Mas mesmo sendo outra pessoa em palco, Lulu nunca assume um papel de ?ator?: «É algo meu. Detesto representar!», afirma com a certeza de que «se a gente tem que fazer algo, a gente tem que sentir e ir ao fundo, senão nada faz sentido». Estar em palco e transmitir o seu próprio «Eu». E por isso é que todas as suas coreografias tentam passar uma mensagem por detrás de cada movimento, cada volta, cada salto. E nada melhor que o Move Mariposa Lunar, um espectáculo de sua autoria, que retrata a sua sociedade, para mostrar quem é este Lulu. E a explicação passa pelo duplo sentido de Move (de movimentar formas e de movimento); Mariposa, porque é a borboleta mais linda e com ela ninguém se engana; e Lunar, porque «sabemos que, apesar dos moçambicanos serem um povo pacífico e sorridente, têm enfrentado vários problemas e, às vezes, a gente esquece do lado bom e positivo da vida. Somos engolidos pelos medos, pela política, pela fome, e o que quero com o meu trabalho é a consciencialização».

Quando há espectáculos, na sua bagagem, faz por levar consigo alguns dos seus 17 alunos, da Associação MONO, para que estes conheçam lugares diferentes e experiências inovadoras. A dança sempre foi a forma de comunicação mais antiga, entre povos, no contexto africano e «é a forma de expressão mais patente no seio do indivíduo, pois todo o moçambicano, até aquele que diz que não sabe dançar, no fundo, dança», diz de contente o bailarino. Mas sob o ponto de vista artístico, Lulu já tem outra visão - «Temos um gap muito grande. A nível mundial a gente está num processo de globalização, e depois num processo de constante mudança». Assim como «a dança e a expressão corporal não é um museu, mas sim um processo evolutivo, a gente tem de evoluir com o resto do mundo», constata Lulu acrescentando que «o mundo das artes é vandalizado porque são poucas as pessoas que têm formação superior nessa área. A gente começa de cima quando, na verdade, deveria começar de baixo», finaliza.

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