Rui da Costa Campos

«Os princípios de gestão são universais e intersectoriais»

\\ Texto João Afonso Ribeiro

O currículo impressiona pela multiplicidade de sectores em que ocupa, ou já ocupou, cargos executivos de alta relevância. Rui da Costa Campos é o atual presidente do conselho de administração da Global Seguros, mas também do Banco Keve e até do Recreativo do Libolo ? equipa que disputa o Girabola ?, além de manter participações em órgãos sociais de muitas outras empresas, algumas sediadas em países estrangeiros. Do sector segurador, ao sector bancário, passando pelo desporto, pela indústria e pelas finanças, este multifacetado gestor apoia-se em estruturas que lhe permitem manter o controlo e a linha orientadora em todos os cargos que ocupa. Formado em gestão e administração de empresas, Rui da Costa Campos fez inicialmente carreira em funções na área financeira, mas acabaria mais tarde por enveredar por cargos de direcção geral em empresas de ramos tão distintos quanto a indústria farmacêutica, a área financeira, o trading de comodities e até a indústria cervejeira. Foi em 2003 que aceitou o convite para integrar o Banco Keve e, posteriormente, em 2005, integrou o leque de gestores que fundaram a Global Seguros que, pelo segundo ano consecutivo, foi considerada a melhor seguradora de Angola. Um super-gestor e um executivo polivalente, Rui da Costa Campos fala sobre os desafios da gestão intersectorial e sobre o crescimento do sector segurador angolano, onde a ?sua? Global Seguros tem tido um papel de destaque.    

É, de momento, Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Global Seguros, do Banco Keve e até de um clube de futebol: o Recreativo do Libolo. Como se gere uma posição executiva em três áreas tão distintas?

E além das tarefas que nomeou, ainda estou presente em mais de oito órgãos sociais de outras tantas empresas, algumas delas no estrangeiro. Realmente não é fácil pois temos de estar disponíveis em várias situações. Mas os princípios de gestão são universais e intersectoriais. Por isso, a primeira regra de ouro, para se conseguir abarcar a gestão de um vasto leque de atividades, é uma rigorosa gestão de tempo. A segunda regra é procurar constantemente rodear-me de equipas especializadas, com alto nível de competências técnicas e comportamentais e francamente disponíveis. Só assim é possível conseguir gerir tantos projetos. Claro que a par de tudo isto tenho a sorte de ter uma família muito compreensiva, onde impera o espírito de que cada um deve pessoalmente, e através dos seus projetos, contribuir para o bem coletivo.

 

É um apaixonado por desporto? É nessa área que se sente mais confortável enquanto PCA?

Sou um apaixonado pelo desporto e pelo futebol em particular. Desde criança que o meu pai incutiu a mim e aos meus irmãos o gosto pelo futebol e pelo desporto em geral. O meu avô paterno foi um dos fundadores do Recreativo do Libolo, tendo sido inclusive presidente, nos primeiros anos. O meu pai foi atleta do Recreativo nos anos 1950. A paixão pelo Recreativo vem da infância, onde ia, juntamente com todos os amigos em Calulo, ver os jogos que o Recreativo disputava nos anos 1960 e 1970. Ser presidente de um clube desportivo é uma experiência única em termos de vivência nas lides da gestão. Ali, as competências em termos de rigor, foco, disponibilidade e relações interpessoais são testadas em cada minuto. É uma escola de treino em competências comportamentais. Recomendo a todos os gestores.

 

Como é que descreve o seu papel nestes três pontos: seguradora, banco e desporto.

No banco Keve sou um PCA não executivo, e portanto exerço a função de chairman, estando a gestão operacional a cargo de uma comissão executiva presidida por um CEO. Na Global Seguros exerço efetivamente a função de CEO, estando a meu cargo a coordenação da gestão operacional da companhia. No Recreativo do Libolo exerço a função de presidente da direcção, actuando como o coordenador operacional das áreas desportivas e de apoio nas modalidades de alta competição que o clube tem, nomeadamente o futebol e o basquetebol.

«A Global Seguros pretende contribuir para o desenvolvimento da cultura de seguros em Angola»


A Global Seguros foi considerada, pelo segundo ano consecutivo, a melhor seguradora de Angola. Este reconhecimento é importante?

Claro que essa distinção nos faz sentir orgulhosos pelo trabalho desenvolvido por toda a equipa da Global Seguros, mas simultaneamente coloca-nos a responsabilidade de continuar a pautar o nosso desempenho por elevados padrões de qualidade e competência. O reconhecimento vem dos nossos clientes que vêem em nós um parceiro de referência no mercado segurador.

Quando é que a Global Seguros surge no mercado e quais os seus preceitos operacionais?

A Global surgiu no mercado segurador em 2006, tendo como visão contribuir para o desenvolvimento da cultura de seguros em Angola.    

«É importantíssimo que cada um de nós possa ter os seus riscos segurados»    

Que tipos de serviços disponibilizam?

A empresa proporciona aos clientes todos os produtos de seguros nos ramos vida, não vida e gestão de fundos de pensões.

 

Qual é o principal foco de mercado enquanto companhia seguradora?

Temos focado a nossa estratégia em permitir oferecer aos nossos clientes as soluções adequadas e melhores práticas do nosso mercado em termos de protecção dos seus activos.

Qual é o balanço que faz da Global Seguros, desde o início até ao presente?

Do ponto de vista da performance da produção, é sem dúvida encorajador pois o crescimento tem sido exponencial. Estamos agora focados em consolidar a nossa carteira, procurando potenciar a rentabilidade. Em termos de reconhecimento do mercado, estamos muito satisfeitos, pois são vários os reconhecimentos manifestados pelos nossos clientes e pelo mercado em geral. No que diz respeito à qualidade da nossa equipa fizemos também aí um trabalho fantástico, quer do ponto de vista das competências técnicas e operacionais, quer do ponto de vista das competências comportamentais.

 

Qual considera ser a base do sucesso da Global Seguros?

Sem dúvida muita transpiração e alguma inspiração. Mas nada como ter uma equipa motivada, dedicada e com paixão.    

O que destaca a Global Seguro da concorrência?

Os nossos concorrentes são por nós encarados como parceiros pois estamos numa fase de desenvolvimento da cultura de seguros em Angola. E para isso todos nós somos importantes. Ao nível da diferenciação, mais que ao nível dos produtos, procuramos estabelecer a diferença ao nível do serviço.

Qual a importância que um bom plano de seguros tem no desenrolar do normal funcionamento das instituições e da sociedade em geral?

É importantíssimo que cada um de nós possa ter os seus riscos segurados, para que, sem sobressaltos, possamos fazer face a eventuais imprevistos, mitigando assim os impactos negativos que o nosso planeamento, quer pessoal, quer de instituições possa vir a sofrer. Só assim construiremos uma sociedade mais responsável.

 

Dada a atual refracção da economia angolana, como antevê a evolução a médio prazo do sector segurador no país?

Grandes desafios se impõem ao mercado financeiro e segurador, em particular, nos próximos anos. Contudo, devemos todos continuar a fazer os investimentos necessários, tendo em vista contribuir para a educação financeira. Em tempos de crise, as ameaças são mais prementes, mas também são tempos de grande oportunidade.

 

Que projetos têm no âmbito da responsabilidade social da Global Seguros?

Temos estabelecido o nosso programa de responsabilidade social, que integra acções nas áreas do desporto, da cultura e da saúde. Temos acções programadas para o desenvolvimento da formação de jovens em futebol e basquetebol em Calulo, através do Recreativo do Libolo, bem como patrocínios de programas culturais e de doações a hospitais.

 

De uma forma genérica, que perspetivas futuras tem para as funções que exerce na Global Seguros, no Banco Keve e no Clube Desportivo do Libolo?

O futuro implica enfrentar as dificuldades do mercado nas melhores condições de solidez, com o empenho e disponibilidade ilimitada dos elementos das minhas equipas. Tento passar a todas as equipas que lidero a seguinte máxima: one team, one vision, one champion.

PARTILHAR O ARTIGO \\