A Pesca

Histórias de terra e mar


\\ Fotografia Daniel Camacho

Uma floresta virgem. Praias belas e longas. Verdadeiros paraísos. A areia da praia de Lândana chama a atenção dos turistas e não só. Aqui, o chão é pisado por dezenas de pescadores. Eles que vivem do mar. A praia, tranquila e límpida, foi em tempos um local de comércio intenso. Nas águas do Zaire, naquele silêncio, habitavam os peixes. Frutos do mar. Alimentos do povo. Hoje, nem os olhos nem as canoas se enchem tanto quanto acontecia há alguns anos atrás. Há menos peixe. Mesmo assim, em Lândana, município de Cacongo, a atividade piscatória ainda é o sustento de muitas comunidades. Todos os dias, há quem reme no mar. Pascoal, pescador há mais de 25 anos, conta que cresceu no meio da pesca. A sua família já se sustentava através desta atividade. «Desde sempre a pesca faz parte da minha vida. Antigamente, no tempo dos meus pais, a captura de pescado era em grandes quantidades e nem sequer era necessário navegar muitas milhas para pescar», lembra com saudade Pascoal.  

A atividade piscatória ainda é o sustento de muitas famílias de Lândana.

Levantam-se cedo. São 7h00 da manhã. Com tudo preparado nas canoas, o gelo e as redes, assim como o pão e as conservas, seguem rumo ao mar. A três ou quatro milhas encontra-se o destino. Passaram cerca de sete horas a remar. Lançam as redes. Esperam. Quando não há peixe suficiente dormem nas canoas até ao dia seguinte. Não desistem. Chegam a ficar dois dias no mar. Nos dias de tempestade o perigo é maior. «Nós rezamos sempre para que as tempestades não nos encontrem lá na água», conta Pascoal.
Antes de embarcarem os pescadores preparam as redes. E Pascoal explica que o fio na agulha facilita na recuperação das redes. Dá-lhes nova vida. Todos os dias quando chegam a terra verificam o material. Há sempre danos e têm de os reparar. Para os que desconhecem, as redes são compostas por um cabo de chumbo e bóias que não deixam a rede ir ao fundo do mar. O peixe vindo do sul ou do norte quando encontra a rede é apanhado. Existem redes com várias dimensões mas, para Pascoal, a rede com 500 metros já é suficiente devido à escassez que há de peixe. Há momentos que chega a pescar 100 quilos, 50 quilos e às vezes nenhum.

Em Lândana existem cerca de 700 pescadores. Nunca vão todos para o mar na mesma altura. Um dia uns, outro dia outros. É sempre assim. Capturam a savelha, corvina e tubarões. Em tempos, já chegaram a pescar tubarões com 20 ou 30 quilos, o que não acontece nos tempos que correm. Na praia encontram-se canoas e barcos de pesca com muitas histórias de terra e mar.

PARTILHAR O ARTIGO \\