Grupo Madi-Muntima

O que está no coração

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Daniel Camacho

Madi-Muntima. Seu significado: «O que está no coração». E no coração deste grupo musical, deste povo, desta comunidade está muito além da tradição. Está a vontade de crescer. A vontade de se mostrar ao mundo. Revelar o que tão bem se faz num dos bairros em Maiombe: dançar! Rica em paisagens e gentes da terra, no seio da mãe natureza, na floresta do Maiombe, encontramos o Madi-Muntima. É ainda um embrião. Mas já com história para contar. «Não podemos deixar de o fazer. Ensinar os mais jovens e preservar as tradições é o que nós tentamos fazer todos os dias ao ritmo das nossas danças», revela Simão, coordenador do grupo, que de há quatro anos para cá tenta, pelo menos duas vezes por semana, junto da população de Chibaianga, ensaiar a sua dança tradicional, a Kituene.

O grupo Madi-Muntima marca território ao sabor da dança Kintueni.

Aqui o ritmo é ao sabor da dança Kituene. É uma dança de origem congolesa democrática e é na região de Maiombe que ela tem maior destaque. É cativante. Por minutos, sentimos como se estivéssemos no meio do grupo a dançar, tal e qual os membros o fazem. Aqui não há idades. Desde os pequeninos até aos mais velhos, todos juntos se divertem e abrem os seus corações a este ritmo alucinante. Usam os mais variados instrumentos rudimentares, que são feitos ali, na comunidade. O batuque, por exemplo, é composto, na parte de cima, por pele do animal, e a parte inferior é feita de árvore oca, trabalhada de forma a que seja produzido som. Um som que se coaduna com o sistema de música tradicional. Existem também o chacal e o kikuiti ? este último feito de bambu ?, que também servem para reproduzir sons, cada um distinto dos outros. É através do som que entra no ritmo tradicional que todos, unidos, dançam como ?dançam? as árvores quando a brisa lhes sopra.

Na província de Cabinda existem vários géneros de danças típicas. Os mais velhos tendem a passar o testemunho às gerações vindouras. Ensinam-nas. Sempre com o mesmo intuito: não deixar cair no esquecimento as tradições. A música. Motivar os mais jovens para a prática das danças tradicionais é o objetivo de quem não quer ver a tradição desvanecer.

No coração da população de Chibaianga o ritmo é a tradição musical.

Das muitas danças tradicionais existentes na província, a dança Kintueni é já uma marca e uma aposta dos cabindas. Estas danças são uma forma de contribuir para o enriquecimento e diversificação da cultura da terra. Preservar a tradição e ir sempre à descoberta de novos valores culturais é o que o grupo Madi-Muntima tem vindo a fazer ao longo destes quatro anos de existência. Mantendo vivas as danças tradicionais. Já os antepassados as dançavam. Agora, as gerações mais novas reintroduziram estes ritmos nas suas vidas. Os cabindas, tanto no passado como no presente, dão valor às suas próprias tradições. Os costumes prevalecem na memória e nos atos de todo o cabindense.

PARTILHAR O ARTIGO \\