Luís Sá Silva

O Ás do Asfalto

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia GP3 Media Service

A azáfama nas boxes aumenta o nervoso miudinho. Enquanto ouve os últimos conselhos do driver coach, vai-se ajustando no carro e colocando o capacete. A adrenalina vai-se apoderando do seu corpo mas não há nada que o desconcentre. Chega a altura de se posicionar. O barulho dos motores dos adversários contrapõem com o silêncio do seu olhar. Um olhar focado apenas na pista que tem à sua frente. Os roncares intensificam-se à medida que a contagem vai iluminando. Depois é como se o coração parasse antes de arrancar com toda a velocidade. E de velocidade percebe ele. Está-lhe no sangue. A meta? É a Fórmula 1.

Aos 24 anos, Luís Sá Silva é o primeiro angolano em competições internacionais de automobilismo. Natural de Benguela, apaixonou-se pela modalidade quando pilotou pela primeira vez um kart de aluguer, mas há muito que o bichinho da velocidade fazia parte da sua família. Cresceu a ouvir as histórias das corridas do pai, Jorge Sá Silva, e a fazer do Autódromo de Luanda a sua segunda casa. Depois, aos 15 anos, partiu para Macau com o tio, tirou um curso de Fórmula Renault 2.0 e estreou-se no Campeonato Asiático, já que em Angola não existiam competições. «A primeira vez ao volante foi uma experiência que mudou a minha vida. Soube logo que queria ser piloto. Desde então, luto por isso todos os dias», recorda Luís. E essa luta começou a dar bons resultados logo em 2009, consagrando-se vice-campeão da Fórmula Renault 2.0 Asiática pela equipa Asia Racing Team. «Não podia ter sido mais fascinante!», diz o piloto. O encanto das corridas invadiu Luís Sá Silva e nem os momentos menos agradáveis o fizeram perder o ânimo que o leva em direcção ao seu sonho de entrar no circuito da Fórmula 1. Exemplo disso foi a conquista do segundo lugar do pódio na Fórmula Abarth Ásia de 2011, um ano após ter sofrido uma grave lesão que o levou a abandonar a competição na Fórmula 3 Euro Series. Nas últimas épocas, o profissional angolano integrou a formação da Carlin, competindo na GP3 e na GP3 Series, vendo as pistas de Fórmula 1 cada vez mais perto. Destacando os pilotos Mika Häkkinen, Kimi Räikkönen e o campeão mundial, Lewis Hamilton, como exemplos a seguir, Luís Sá Silva elege o Circuito Internacional de Shangai como pista favorita. «Shangai tem um significado especial. Foi lá que obtive a minha primeira pole position, o meu primeiro pódio e a minha primeira vitória», revela.

Luís Sá Silva é o primeiro angolano em competições internacionais de automobilismo.

Ciente da dedicação e profissionalismo que a carreira de piloto exige, Luís Sá Silva entrega-se a um intenso treino físico e até mental. Começa pelos treinos no ginásio, duas vezes por dia, cinco vezes por semana. Depois, passa para o treino no simulador, que o ajuda a conhecer as pistas. Mas é o apoio de Nuno Pinto, o seu driver coach, que o ajuda a manter o foco, dentro e fora do asfalto. «O driver coach ajuda-me a manter a concentração, os bons níveis de confiança e a definir a estratégia de corrida. Durante as provas, ele ajuda não só na parte da condução mas também na interpretação da telemetria (dados do carro que permitem à equipa melhorar a performance do piloto)», esclarece o angolano.

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