Georges Rebelo Chikoti

«A paz e segurança são as premissas para a democracia»

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira Maria Cruz

O diplomata angolano viu a sua infância ser vivida noutro país que não o seu. Foi na Zâmbia, juntamente com os pais, que Georges Rebelo Chikoti passou grande parte da sua vida, por causa da perseguição do regime colonial português. Foi em território zambiano que concluiu o ensino primário e secundário. Regressou a Angola, alguns anos depois, em 1975, e passado um tempo tornou-se num dos primeiros quadros do Galo Negro, a conhecida União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) a serem enviados para estudar na Costa do Marfim.

Desde jovem que se evidenciou como activista político. Quando estava em Paris, a tirar o Mestrado em Planificação e Urbanismo, começou a pôr em causa, juntamente com outros estudantes, a rigidez e a posição democrática do movimento UNITA, que era liderado por Jonas Savimbi. A discordância fez com que recebesse ordens, em nome de Savimbi, para regressar a Angola, mas Chikoti decide trocar-lhe as voltas, rumando ao Canadá, onde a UNITA não tinha muita influência. Mas não ficou lá por muito tempo. Decide ir para Portugal e foi lá que constituiu o partido Fórum Democrático Angolano, órgão que se opunha à forma de liderança de Savimbi. Chikoti, cada vez mais próximo do MPLA, acabou por pôr termo ao partido que havia fundado e tornou-se vice-ministro das Relações Exteriores. Em 1986, foi condecorado com a medalha de Paris Doyen Lions Club, graças à palestra O Envolvimento Russo-Cubano e América-Sul Africano no Conflito Angolano.    

«A nossa prioridade direcciona-se para a cooperação com os outros países»    

Desde 1992 que faz parte do Ministério das Relações Exteriores, primeiro como vice-ministro e, a partir de 2010, como ministro das Relações Exteriores, mesmo contra a vontade de alguns membros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). A decisão foi de José Eduardo dos Santos. Exercer uma diplomacia séria, credível e sustentável, capaz de transmitir confiança, é um dos fatores que orientam o carácter político de Chikoti.


Desde jovem que se destacou como activista político, chegando até a formar o Fórum Democrático Angolano. Como é que recorda esses tempos e em que é que se baseava esse partido?

O Fórum Democrático Angolano surge numa altura em que comecei a pensar que a guerra que a UNITA provocava para conquistar uma Angola independente não se justificava. Então, em 1989, eu, juntamente com outros colegas, formámos o Fórum Democrático Angolano. Era uma forma de lutarmos pela democracia e pelos direitos humanos do nosso país.


A nível académico passou pela Costa do Marfim e por Paris. Como descreve essa época?

O meu ciclo académico foi marcado por várias influências. Primeiro, uma influência lusófona, onde fiz parte do meu ciclo primário, até 1964; depois, quando eu e os meus pais fugimos do regime colonial português e fomos para a Zâmbia, concluí aí o ensino secundário, em 1975. Mais tarde, regressei a Angola, num momento em que estávamos a caminhar para a independência. Vivia-se um ambiente conturbado mas, mesmo assim, permaneci até 1977. Após essa data, parti para a Costa do Marfim, onde fiz os meus estudos universitários, tendo concluído o Mestrado em Ciências Geográficas, em 1985. Em seguida, fui para França, onde ingressei na Universidade de Paris XII. Em 1988, emigrei para o Canadá, onde trabalhei durante algum tempo no Banco Canadiano do Comércio. Uma vez em terras canadianas, frequentei Universidade de Ottawa, onde consegui o meu diploma em Relações Internacionais e também trabalhei como professor assistente.

 

PARTILHAR O ARTIGO \\