Sónia Campos

«O Empreendimento Comandante Gika vai transformar Luanda»


\\ Fotografia Manuel Teixeira

Um hotel de cinco estrelas, escritórios, residências, o maior shopping de Angola, e um dos maiores de África, e a criação de 10 mil postos de trabalho directos. É este o retrato do Empreendimento Comandante Gika, o maior projeto imobiliário privado de Angola e um dos maiores de África. Um projeto ambicioso, que Sónia Campos, administradora, decidiu abraçar precisamente por causa do desafio. Sete anos depois do início do projeto, o Empreendimento Comandante Gika é hoje uma realidade, tendo já algumas das suas valências em funcionamento, como é o caso de uma das torres de escritórios (Garden Towers) e do Hipermercado Kero, e brevemente as torres de habitação. Sónia Campos garante que no final de 2015 todo o Empreendimento estará concluído, pronto para entrar em funcionamento.

 

Como nasceu o Empreendimento Comandante Gika?

O Empreendimento Comandante Gika foi erguido numa zona nobre da cidade de Luanda, onde funcionava uma escola de formação militar. Com o encerramento da escola, houve ocupação do espaço por parte da população, tornando-se num centro de bandidagem. Em 2003 houve uma deliberação do Conselho de Ministros, para requalificar a área em questão. Nesse sentido, o Ministério das Obras Públicas da altura criou um projeto urbanístico para a zona e foi aí que o projeto começou a ser alinhavado. Em 2007 começámos o realojamento das pessoas, um processo que culminou no realojamento de cerca de cinco mil pessoas, quase 500 famílias. O processo terminou em 2008, acho que correu muito bem. Em 2009 começámos a obra.

 

Se hoje o Empreendimento Comandante Gika é ambicioso, na altura era ainda mais.

O projeto é efetivamente ambicioso e desafiante, hoje ainda mais do que quando o iniciámos.

 

Já passaram alguns anos desde o início do projeto. Quais foram as dificuldades e as vitórias alcançadas ao longo deste tempo?

Fazer um projeto com esta dimensão em Angola é muito difícil. Uma das dificuldades prende-se com a logística: não temos fábricas em Angola com capacidade de dar resposta eficaz a um projeto desta envergadura, é tudo maioritariamente importado. Para além disso, há a burocracia, que existe em todo o mundo, mas em Angola é mais acentuada.

Acho que ninguém acreditou que conseguíssemos, mas hoje é uma realidade.

 

Quando é que o Empreendimento Comandante Gika ficará totalmente concluído?

Em Dezembro de 2015, com certeza. Não temos muito mais para fazer, estamos agora a concluir o shopping e a parte das infraestruturas internas do hotel e entregar para exploração.

 

Já se sabe qual será o operador do hotel?

Sim, será um operador de uma gama de cinco estrelas, pois queremos fazer um hotel de referência.

 

Como será o Empreendimento Comandante Gika quando estiver totalmente operacional?

Será uma bandeira. Acreditamos que o Empreendimento Comandante Gika vai transformar Luanda e o modo de vida de todos os Luandenses.

 

Estão a ser construídos muitos centros comerciais. Não vos preocupa a concorrência?

Não, o Empreendimento Comandante Gika é um produto totalmente diferente. Temos um complexo integrado, com todos os serviços: um hotel, escritórios, residências e um shopping com uma dimensão de 440 mil metros quadrados. E estamos bem localizados. A concorrência só nos vai fazer querer melhorar cada vez mais.

 

Que lojas terá o Luanda Shopping?

Já temos um mix muito interessante de lojas de renome internacional como a Zara, Mango, Cortefiel, Springfield, Woman?s Secret, Intimissimi, Calzedonia, Salsa Jeans, Lacoste, Hugo Boss, Emporio Armani, Carolina Herrera, Gant, entre muitas outras. Não queremos de deixar de referir as marcas nacionais como Os Filhotes, Visar, Casa Paris, a âncora Sistec, o Galaxy Games, e na restauração temos a Só Peso, a Panela de Barro, Natura, Frango no Churrasco e Pasta di Roma. Temos um mix muito forte.

 

O Empreendimento Comandante Gika é um investimento de quanto?

Inicialmente estava avaliado em 651 milhões de dólares, só que ao longo do tempo e com os melhoramentos e o aumento considerável das áreas, agora estamos a falar de um investimento de cerca de 800 milhões de dólares.

 

Qual é a sua formação?

Tirei engenharia informática. Estudei matemática até ao segundo ano da faculdade. Entretanto naquela altura difícil, em 1988, fomos obrigados a interromper os estudos. Retomei em 2000 e o mais próximo da matemática era engenharia informática. Mas a minha carreira profissional foi sempre na área da gestão de empresas.

 

Começou por esta loja onde nos encontramos?

Sim, comecei pela S2C, um projeto de mobiliário de escritório e consumíveis. Entretanto foram surgindo outras oportunidades e agora estou noutras áreas de negócio, nomeadamente no ramos da imobiliária, da distribuição alimentar, da área financeira, e, claro, este grandioso projeto.

 

Porque aceitou ser administradora do Empreendimento Comandante Gika?


Aceitei porque é um projeto ambicioso e eu gosto de projetos ambiciosos. É um desafio, muito interessante, de colocar na cidade um produto totalmente novo, que vai alterar por completo o modo de vida da população, sobretudo ao nível social. Vamos criar 10 mil postos de trabalho directos, fora os indiretos. A ideia basilar do projeto foi melhorar a qualidade de vida da população e fazer mais e melhor pela cidade de Luanda e pelo País, que desta forma vai crescendo com a mesma qualidade visível comparativamente a outros países do mundo. E é um orgulho fazer parte da condução deste projeto!

PARTILHAR O ARTIGO \\