Januario Jano

«Os jovens do TEDx Luanda projectam uma imagem de Angola renovada»


\\ Fotografia Manuel Teixeira

Januario Jano é o rosto de uma geração de jovens angolanos com sede de fazer mais e melhor e, assim, levar o nome de Angola mais além. Curador e anfitrião do TEDx Luanda, um evento que acontece em várias capitais do mundo e que discute áreas tão distintas como arte, tecnologia, ciência e negócios, e cuja primeira edição em África em países de expressão portuguesa aconteceu em Angola, Januario Jano afirma que este é um evento que inspira muitos jovens, ajudando-os a abraçar novos projetos e a começar novos negócios. Amante das artes desde muito cedo ? «pintava as paredes dos vizinhos, fazia bonecos com barro e carros de lata, recortava as revistas para criar novas imagens» -, Januario Jano lançou ainda a empresa Coconote Studio, em Luanda e em Londres, e terá a sua primeira exposição individual em Novembro, em Portugal. Um nome a reter nos novos artistas plásticos angolanos.
 
Que importância tem um evento como o TEDx Luanda, que discute áreas tão distintas como arte, tecnologia, ciência e negócios, para uma capital como Luanda, que começa agora a apostar na formação e na arte?
Tem sem dúvida um papel importante na nossa jovem sociedade. O nosso objetivo é partilhar as melhores ideias, projetos que de certa forma ajudam a resolver problemas diversos. Tudo isto se reflecte na forma como as pessoas abraçam o projeto. Os benefícios são diversos e espelham-se nas pessoas que participaram e participam. Os comentários são de arrepiar, bons negócios e boas ideias já saídas do evento TEDx Luanda começam a ser aplicados em diversas áreas.
É sempre uma fonte de aprendizado e motivação para os jovens angolanos que não só se ligam ao mundo, engrandecendo os seus afazeres, como acima de tudo projectam uma imagem de Angola renovada, diversificada e dinâmica, preparada para responder aos desafios actuais, a todos os níveis.

«A arte, o design e outras manifestações culturais em Angola sofrem um momento de mudança»

Designer, pensador, artista plástico? Quem é Januario Jano?
Januario Jano é um indivíduo que sonha de noite e na manhã seguinte vai realizar este sonho. Formalmente sou um fazedor, sinto um impulso fantástico quando as ideias se tornam realidade. A minha vida tem sido um aprendizado constante, pois leva algum tempo conhecer Angola após 16 anos fora. Mais este é o meu mais honesto contributo para uma Angola nova e melhor.
 
Como começou a sua ligação com as artes plásticas?
Em menino pintava as paredes dos vizinhos, desenhava em tudo, fazia bonecos com barro e carros de lata, recortava as revistas para criar novas imagens. Acredito ser aqui onde tudo começou. Após deixar Angola, parti para Londres, e aí foi um verdadeiro encontro e descobrimento de quem é o Januario Jano.
 
Como classificaria a sua pintura? Quais são as suas inspirações?
As minhas pinturas e desenhos são uma forma de expressão fundidas, pois nelas expresso tudo que sinto, sonho ou penso. Nesta linha, desenvolvi os caracteres que chamo de Kwicks pop, que têm personalidades. É uma fusão de culturas pop infinito. As minhas pinturas são expressivas e semi-abstratas. Inspiro-me no meu dia a dia, nas minhas viagens e até mesmo nos meus próprios trabalhos, manifestações culturais, o buzz social e as tendências actuais.
 
É um artista angolano que cedo se expandiu para o mundo ? a sua empresa Coconote Studio, presente em Londres, é um exemplo dessa expansão. O Januario é um reflexo dos jovens artistas angolanos ou considera-se um caso à parte? Como vê a arte, o design, a moda e todas as outras manifestações artísticas em Angola?
Sou parte de um movimento de jovens com influências culturais diversificadas, sou angolano, mas do mundo, pois considero-me uma pessoa de várias culturas e identidades.
A arte, o design e outras manifestações culturais em Angola sofrem um momento de mudança, pois, com o crescimento económico, novas manifestações culturais vão surgindo e com isto novas áreas começam a ter notoriedade. Ainda temos muito que fazer para estarmos em condições de competir nos níveis dos países mais desenvolvidos, e uma aposta certa será na educação.

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