Hidratar é Essencial à Vida

Clínica do tempo

\\ Texto Humberto Barbosa

Todo o nosso corpo, todos os nossos órgãos, dependem da água para sobreviver. A água 
é o meio onde se dão todas as reações do organismo, é ela que mantém o sangue com a 
viscosidade correta, transporta os nutrientes e os produtos resultantes do metabolismo, 
interfere no funcionamento de todos os sistemas e órgãos, desde o coração ao cérebro, 
passando pelos músculos e pelos ossos, e regula a temperatura corporal.
Cerca de 60% do corpo humano é composto por água. É fácil perceber por que é tão 
importante beber água e fazer uma alimentação saudável, rica em frutas e legumes. A 
nossa hidratação não está dependente somente da água, mas também de outros tipos de 
líquidos e até de alimentos sólidos, que contêm água na sua composição. Por isso, os chás 
e infusões, as sopas, os sumos naturais, as frutas, legumes e hortaliças, e até o peixe e a 
carne contribuem para fornecer água ao nosso organismo.
A água é essencial à vida e é tão importante que um ser humano consegue resistir 
algumas semanas sem comer, mas só sobrevive três dias sem beber. A água é de tal 
forma vital que a desidratação, antes de conduzir à morte, provoca desequilíbrios 
profundos com sintomas bem definidos: pele, lábios e boca seca; diminuição de saliva 
e de lágrimas; cansaço mental e físico; cãibras musculares; vertigens; tonturas; perda de 
coordenação, de concentração e estados de confusão; problemas de regulação térmica 
do corpo, com estados febris e sensação de aumento da temperatura corporal; dores de 
cabeça; náuseas ou vómitos e distúrbios intestinais; e alterações visuais e auditivas.
Uma situação de desidratação prolongada e continuada compromete o funcionamento 
do coração, dos rins, do sistema digestivo e respiratório. A falta de água no nosso corpo 
leva, entre outras coisas, a que o sangue se torne mais espesso, dificultando a irrigação 
dos órgãos e fazendo com que o organismo retire, em situação de emergência, água de 
tecidos para alimentar a corrente sanguínea. O plasma constitui cerca de 60% do volume 
sanguíneo, e os glóbulos vermelhos equivalem a 40%.


A sede e a desidratação

A sede é um dos mecanismos que o nosso corpo tem para regular a ingestão de água, 
mas nem sempre é um alerta dado a tempo. Não se deve esperar pela sede para beber. 
O nosso corpo está continuamente a perder água, através do suor, da respiração, da 
evaporação e da eliminação natural de resíduos pelos rins e intestinos. Neste processo, 
perde-se também sódio, potássio e pequenas quantidades de cálcio e ferro, que conduzem 
a um desequilíbrio eletrolítico. No entanto, também na ingestão de água se deve evitar 
os excessos, mantendo um bom consumo, que corresponde a cerca de dois a três litros 
diários para um adulto de compleição mediana. O excesso de água também pode ser 
prejudicial, levando a uma eliminação exagerada de minerais e comprometendo o 
equilíbrio eletrolítico.
Em termos genéricos, a desidratação é um desequilíbrio de entrada e saída de água 
do organismo, que acontece quando a eliminação de água e sais minerais é superior 
àquela que entra. Portanto, a desidratação é a falta de água e sais minerais, causada por 
perdas anormais de líquidos, quer devidas a exercício intenso e continuado, quer pelo 
aumento da temperatura do ambiente, que por sua vez aumentam as perdas por respiração 
e transpiração, que é a eliminação de água através da pele, para baixar a temperatura 
corporal. Outra causa de perda de água no organismo deve-se a uma alimentação rica 
em sal e em produtos tóxicos, exigindo o consumo por parte do organismo de uma maior 
quantidade de água para sua eliminação.
Mesmo num corpo que já esteja a sofrer desidratação os rins continuam a excretar uma 
quantidade mínima de urina, para garantir que as substâncias tóxicas sejam eliminadas 
do organismo. Ao mesmo tempo, as perdas de água continuam a ser acentuadas pela 
evaporação ao nível da respiração e da pele. No entanto, apesar de haver uma sensação 
de alívio de sede quase imediata depois de se beber água, a sua absorção e distribuição 
acontece mais lentamente, demorando mais de meia hora após a ingestão de água a 
reposição da hidratação. Por isso mesmo, é preferível beber pouca quantidade de água 
várias vezes por dia, para manter um nível continuado de hidratação.


Grupos de risco
Não existe nenhum teste específico que analise os níveis de desidratação, e o indicador 
mais comum é a secura das mucosas, com a sensação de boca e garganta secas, que 
desencadeia o mecanismo da sede. Porém, as crianças e os idosos têm muitas vezes 
o mecanismo de sede desregulado: as crianças não têm os mecanismos fisiológicos 
completamente desenvolvidos, e os idosos podem ter menos sensação de sede, levando a 
que se «esqueçam» de beber água.
A quantidade de água presente no corpo humano altera-se e diminui com a idade. 
As crianças possuem uma maior quantidade de água no organismo, cerca de 70%, e, 
comparativamente, têm necessidades de água maiores do que os adultos. Curiosamente, 
a necessidade de água de uma mulher adulta é inferior à de um homem, na medida em 
que o sexo feminino tem um percentual de gordura corporal superior. Por outro lado, 
as pessoas idosas apresentam uma percentagem de água no organismo mais baixa, mas 
possuem também mecanismos de sede mais fracos, além de uma alimentação muitas 
vezes deficiente em ingredientes ricos em água, o que pode levar a que desidratem com 
mais facilidade. A regra mais simples para manter um adequado consumo de água é 
contabilizar cerca de 35 mililitros de água por cada quilo de peso, ou seja, um pequeno 
cálice por cada quilo. Mas claro que quem diz água diz líquidos, que podem ser leite, 
sumos de frutas, néctares, chás e infusões. As restantes necessidades serão satisfeitas 
através da ingestão de alimentos sólidos.
As restantes necessidades serão satisfeitas através da ingestão de alimentos sólidos, pois 
tudo o que comemos tem água: os legumes, as frutas e até a carne ou o peixe têm água na 
sua composição.

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