Raízes Cruzadas, de Paula Tavares

De Angola para o mundo

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia ©PMC

«É possível fazer e somos capazes de mostrar que o made in Angola pode ir onde nós quisermos, basta querer!»

É com um orgulho tão grande como o que tem em ser portuguesa, que Paula Tavares adoptou Angola como o seu país. Nos inúmeros projetos em que esteve e está envolvida, sempre contrariou a ideia por muitos preconizada de que o importado é que é bom, levando a cabo ideias criadas e desenvolvidas em Angola, com mão-de-obra angolana e, tanto quanto possível, com matérias-primas angolanas. Raízes Cruzadas é o nome do seu projeto de decoração de interiores – peças decorativas e de mobiliário, com várias linhas, direccionadas para diversos tipos de ambientes e que aliam a funcionalidade a um design atraente cujas raízes são marcadamente angolanas. Raízes que há cerca de dois anos cruzaram fronteiras, para mostrar que o made in Angola tem qualidade e é digno de estar em qualquer parte do mundo.


\\ Fotografia Miguel Costa

Paula Tavares está em Angola há quase 25 anos. «Uma vida!» - diz-nos - e nós acrescentamos que é uma vida recheada de projetos profícuos, em que a angolanidade se destaca porque, embora portuguesa, Paula assumiu Angola como ‘sua’, lutando diariamente para o seu crescimento.

De todos os projetos, destaca-se uma paixão antiga, a decoração de interiores, que, tal como ela, nasceu em Portugal e aqui se desenvolveu, apesar das dificuldades. Mas Paula ama «o Longe e a Miragem» e o que é demasiado fácil não a motiva. E talvez seja por isso que na criação das suas peças por vezes tenha de as reinventar, pela escassez ou ausência de matérias-primas. Poderia importá-las e por vezes é inevitável, mas Paula quer, e sempre quis, combater a importação, «há que mostrar, com orgulho e dignidade, o que de bom se faz no país, o made in Angola».


\\ Fotografia ©PMC

Raízes Cruzadas é o nome da sua empresa e não é por acaso que muitas das suas peças são feitas de madeira resultante da limpeza de árvores, ou de raízes mortas, porque Paula não gosta de cortar árvores, antes lhes confere dignidade mesmo depois de mortas, pois «as árvores morrem de pé!». O projeto já vem de longe. Envolve inúmeras valências e é preciso tempo para formar pessoas. Desde há cerca de dois anos, Raízes Cruzadas ganhou outra dimensão porque as suas peças – linhas completas de sala de jantar, de estar, cabeceiras de cama e um sem número de objetos de decoração, em que as raízes angolanas estão bem presentes e em que à funcionalidade se alia um design harmonioso – cruzaram fronteiras e oceanos, e estão em Portugal, noutros países da Europa e nos EUA. As peças são idealizadas, desenhadas e desenvolvidas em Angola e os acabamentos são feitos no país de destino da exportação, «porque não faz sentido importar um parafuso quando no país de destino custa 50 vezes menos». Com as peças, cruzam também fronteiras quadros especializados, pessoas formadas por Paula que têm a missão de concluir as peças no destino. E no destino criaram-se sedes com escritórios, showrooms e espaços culturais porque é necessário cruzar raízes, não só a nível de design, mas a nível cultural em geral. Do destino trazem aquilo que não se consegue fazer em Angola, uma vez que não há indústrias especializadas para certas soluções.

Paula sempre foi capaz e com ela está uma equipa de cerca de 40 pessoas que tem a certeza de que são capazes. «É possível fazer e somos capazes de mostrar que o made in Angola pode ir onde nós quisermos, basta querer!» - termina Paula, determinada.

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