ADA - Aceria Angola

Por um país autossuficiente

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Daniel Camacho

«Somos a primeira siderurgia africana certificada LNEC»

Georges Choucair, nascido em Dakar, apaixonou-se por Angola há 24 anos. Iniciou a sua atividade profissional com a importação de bens gerais, mas o sucesso que alcançou numa padaria industrial levou-o a vislumbrar a oportunidade da produção de varão de aço, num país em que a guerra deixou um vasto rasto de sucata, a sua matéria-prima principal. Apesar dos tempos difíceis, a determinação de Georges, Presidente do Conselho de Administração da ADA, leva-o a acreditar nas potencialidades do mercado e no produto da sua unidade industrial, que é de qualidade mundial, que segue todos as normas internacionais de fabrico e que é certificado, posicionando a ADA ao nível das maiores e mais modernas industrias do continente. Adicionalmente a ADA faz parte dos projetos assegurados pela MIGA. Inaugurada no final de 2015, a ADA, de investimento privado, avaliado em 300 milhões de dólares, e que tem capacidade para produzir 500 mil toneladas de aço/ano, criará 600 empregos directos e cerca de 2 mil indiretos.

Nascido em Dakar, Georges Choucair tem no pai, uma figura reconhecida internacionalmente, nomeadamente em África, uma referência e um respeito incomensuráveis. Agradece-lhe a educação e os valores que lhe transmitiu. Georges é angolano de coração, porque há 24 anos, quando decidiu deixar os negócios de família e rumar a Angola, encetando os seus próprios projetos, foi recebido como mais um dos seus filhos. Talvez porque se apaixonou desde logo pelo país.

No início, dedicou-se a importação de bens alimentares, mas quando apareceu a oportunidade de investir numa padaria industrial, focou a sua atividade no pão, e introduziu em Angola a baguete francesa. O negócio prosperou de tal forma, que resolveu construir uma segunda padaria, no entanto deparou-se com um entrave: em Angola não havia aço para a sua construção. A dificuldade foi afinal o alavancar de algo maior, porque Georges apercebeu-se da oportunidade que estava à sua frente. Durante alguns anos, e desde 1997, importou aço para revender e foi alcançando confiança e credibilidade perante os seus clientes, porque, diz, «os nossos clientes são nossos parceiros porque é com eles que conseguimos crescer».

«Nós dependemos muito do exterior. Surgiu então a ideia de construir uma siderurgia», refere Georges, «para abastecer o nosso mercado e ser autossuficientes». Surgiu então a ADA – Aceria Angola, uma unidade industrial dedicada à produção de varão de aço, na comuna da Barra do Dande, província do Bengo. O empreendimento, de investimento privado, avaliado em 300 milhões de dólares, tem capacidade para produzir 500 mil toneladas de aço/ano.

Georges percorreu mundo para conhecer as tecnologias de produção que havia no mercado, e elegeu a melhor: equipamentos de topo de uma reconhecida marca italiana. Havia outras, menos onerosas, mas o Presidente do Conselho de Administração da ADA refutou-as desde logo, porque não respeitavam o meio ambiente e porque punham em risco a saúde dos trabalhadores. A ADA, para além de recolher sucata (a principal matéria-prima do aço, a par da cal e liga de aço), que por si só é uma medida benéfica ao meio ambiente, possui estação de tratamento de fumos, estação de tratamento de água potável e águas residuais. A escolha acertada valeu-lhe a certificação do seu produto que engloba também todos os processos de fabrico. «Hoje a ADA é reconhecida como uma siderurgia de alta qualidade ao nível das europeias. Isso é uma prova de que conseguimos investir em África, em Angola, e ser reconhecidos. Somos a primeira siderurgia africana a obter a certificação LNEC» orgulha-se Georges, acrescentando que «Angola é e sempre foi ‘o futuro’, porque tem um grande potencial de crescimento».

A ADA pretende, até 2020, tornar Angola autossuficiente no que à produção de aço diz respeito.

No domínio social, prevê-se alcançar 600 empregos directos e cerca de dois mil indiretos, graças a uma plataforma nacional criada para a recolha de sucata. Para já, os directos são cerca de 567, que estão a ter formação com estrangeiros altamente qualificados. E porque para Georgess o sucesso não se mede em dólares, mas antes na capacidade de proporcionar melhores condições de vida aos demais, a ADA fornece 1800 refeições por dia, alojamento e assistência de saúde aos seus colaboradores.

Para o futuro, ambiciona-se reduzir a mão-de-obra estrangeira, optimizar todo o processo industrial, fazer ainda mais a nível social, prosseguir com as políticas ambientais e de saúde pública, estar no mesmo patamar que os produtores mundiais, continuando a investir na qualidade, e, em 2020, tornar Angola autossuficiente no que ao aço diz respeito.

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